Sexualidade e identidade de gênero: descubra a sua

Bandeira "Love is love" em uma manifestação pró-LGBT
Foto de 42 North no Pexels

Em uma época em que se é muito discutido as questões de sexualidade e gênero, é comum que surjam várias dúvidas e questionamentos sobre detalhes em relação a comunidade LGBTQIA+. A Factual900 trouxe um guia sobre diferentes sexualidades, suas definições e suas origens

Por Adriana Passos, Beatriz Oliveira, Gabriela Antualpa, Mariana Letizio, Mariana Suzuki e Victor Locateli

O que é sexualidade

Sexualidade, ou orientação sexual, é o termo utilizado para a ligação afetiva que é estabelecida entre pessoas. 

Nessa esfera, se encaixa homens que se interessam por mulheres e mulheres que se interessam por homens; em ambos os casos, todos os indivíduos envolvidos são denominados heterossexuais ou heteroafetivos.

A orientação sexual não se trata de uma escolha e não possui uma explicação científica, por isso é errado referir-se a orientação sexual como ‘opção sexual’. 

É errado, também, o uso do sufixo ‘ismo’ para a denominação das orientações sexuais, uma vez que essa terminação refere-se a doenças.

O reconhecimento da noção de atração por um ou mais gêneros acontece no decorrer do desenvolvimento humano. 

Lésbica

A palavra “lésbica” é uma referência a Sappho, poeta grega da Ilha de Lesbos que escrevia sobre o amor entre mulheres. 

Lésbica é uma sexualidade em que  mulheres e pessoas alinhadas ao feminino que sentem atração por, também, mulheres e pessoas alinhadas ao feminino. 

Exemplos de celebridades lésbicas brasileiras são Maria Gadú, Bruna Linzmeyer e Monique Evans.

Gay

Homens ou pessoas alinhadas ao masculino que sentem atração por apenas pessoas alinhadas ao masculino. 

Artistas gays com grande reconhecimento incluem Elton John, Frank Ocean, Silva e Ney Matogrosso

Bissexual

Pessoas que sentem atração por indivíduos que se identificam com qualquer um dos gêneros.

Bissexuais são pessoas para quem o gênero não é um fator determinante da atração sexual ou afetiva, assim como a panssexualidade. De forma errônea, muitas pessoas assumem ser uma sexualidade binarista ou dualista. 

Entre os grandes nomes que são bissexuais assumidos, se encontram Luisa Sonza, Anitta, Lady Gaga e David Bowie.

Hétero

O termo “Hetero” refere-se ao prefixo de origem grega usado na formação de algumas palavras e que significa outro, diferente. Pessoas que sentem atração por indivíduos que se identificam ou são alinhados ao gênero oposto.

Pansexual

Pansexuais são pessoas que sentem atração por pessoas de todos os gêneros e orientações sexuais. 

No passado, preconceituosamente, considerava-se que a bissexualidade dizia respeito apenas às pessoas que sentiam atração por outras pessoas que se identificavam no espectro binário.

Apesar de nunca ter sido binarista, o termo “pansexual” surgiu como forma de incluir e acolher a comunidade transexual.

A bissexualidade e a pansexualidade não são apenas maneiras de enxergar e se relacionar com as questões de gênero e sexualidade, mas também são movimentos políticos que têm contextos históricos distintos. Esses movimentos políticos são diferentes, e não se anulam.

Entre artistas que se assumiram pansexuais, se encontram Reynaldo Gianecchini, Preta Gil e Bianca Andrade “Boca Rosa”.

Queer

Queer é um termo guarda-chuva para pessoas que não tem sua orientação sexual ou atração emocional correspondentes à heteronormatividade, mas não desejam ou se sentem confortáveis com rótulos.

Entre os nomes mais conhecidos, se encontram Liniker, King Princess e Danny Bond.

Assexualidade

Orientação sexual em que a pessoa apresenta pouca ou quase nenhuma atração sexual e pode ser um termo “guarda chuva”, por englobar outros termos.

Entre eles, demissexual (pessoa que sente atração após estabelecer uma relação afetiva com outra), assexual estrito (pessoa que não sente atração sexual em nenhum momento por nenhum genêro), grayssexual (pessoa que sente atração raramente), cupiossexual (não há atração sexual  por nenhuma pessoa e sim o desejo de ter uma vida sexual ativa), frayssexual (pessoa que só sente atração sexual se não tiver vínculo afetivo) e assexual fluido (pessoa que sente que sua atração sexual flutua constantemente, ou seja, em algum momento pode se sentir como um grayssexual ou tempos depois se sentir como um assexual fluido)

Assexual, ou “Aces”, como nos referimos, não significa “sem sexo”, mas “não relacionar-se sexualmente a ninguém”.  

Isso implica que caso uma pessoa possua sentimentos sexuais ela não necessitaria de outra pessoa para essa expressão. Assexualidade é, simplesmente, a sexualidade autossuficiente. Artistas que já se declararam ace: Caitlyn Jenner, David Jay e Cavetown

Orientação sexual x Identidade de gênero 

Foto de Sean Harrington no Pexels

A identidade de gênero diferencia-se da orientação sexual, uma vez que o primeiro refere-se a pessoas que sentem atração sexual ou relação afetiva a outros indivíduos, e o segundo se refere a como as pessoas se identificam com o seu gênero. 

Esse campo abrange os transgêneros, pessoas que nascem em determinado sexo mas se idenificam com outro gênero, as travestis, que nascem com o corpo masculino mas se identificam com a figura feminina, e os transexuais que não tem uma relação saudável com seu gênero, uma vez que eles não se sentem confortáveis com o seu corpo biológico.

Ainda é comum, porém, confundir equivocadamente travestis com drag queen.  As travestis levam a figura feminina no seu cotidiano por identificação pessoal, enquanto drag queens são artistas que usam artifícios femininos com o intuito de expressar arte e se divertir. 

Vale lembrar que drag não está relacionado com a orientação sexual, uma vez que héteros também podem realizar esse tipo de arte. 

Identidades de gênero

Transgênero

Pessoa que não se identifica com a anatomia e nem com as características individuais e sociais atribuídas ao seu sexo biológico. 

São divididos em três categorias majoritárias: trans masc, aqueles que se alinham ao masculino, trans fem, que se alinham ao feminino, e não binário, que é um termo guarda-chuva para identidades de gênero que não são estritamente masculinas ou femininas, estando portanto fora do binário de gênero e da cisnormatividade.

Ouça a história de Loren, um homem trans, no podcast da Factual900.

Não-binário

O termo não-binário refere-se a pessoas que não se idenficam com os genêros “tradicionais” como homem e mulher ou que não se percebem como pertecentes de um genero exclusivamente. Isso significa que sua identidade de gênero e expressão de gênero não são limitadas ao masculino e feminino.

Entre grandes personalidades que se identificam como não-binário temos Barbara Paz, Demi Lovato, Sam Smith e Brigette Lundy-Paine

Gênero Fluido

É uma pessoa em que seus alinhamentos e identidades mudam com o tempo, ou seja, se refere a qualquer indivíduo que tem uma identidade de gênero transitório entre um ou mais gêneros.

Cisgênero

Pessoa que se identifica com as características individuais e sociais atribuídas ao seu sexo biológico, o qual é categorizado no nascimento a partir da diferença entre genitálias. 

Travesti

É a identidade de gênero diferente daquela que foi designada à pessoa no nascimento. Os termos trans, transgênero e transexual podem ser utilizados tanto para identidades masculinas, quanto femininas. Já o termo travesti é utilizado apenas pessoas trans com identidades femininas. Desse modo, o artigo e os pronomes e artigos que devem ser utilizados são no feminino.

Transformista

Foto de Greta Hoffman no Pexels

Inclui as drag queens, os drag kings e drag queers, e envolve pessoas que vestem roupas que são associadas ao gênero diferente ou ao sexo oposto do seu. 

Demi-boy 

A palavra “demi” significa “metade”, indicando a parcialidade da identificação, ou seja, são pessoas com conexão parcial ao gênero masculino e parcialmente com outra identidade de gênero sem necessariamente ter essa identidade como definida. 

Demi-girl 

São pessoas que se identificam parcialmente ao gênero feminino e em adição a isso, pode ter outra identidade de gênero ou não. 

Demiandrogyne

Demi-andrógeno é uma identidade de gênero que descreve indivíduos que se identificam parcialmente como andrógeno. Geralmente, mas não sempre, demi-andrógenos sentem que sua sexualidade é uma “mistura” de feminino com masculino e um terceiro gênero não determinado. 

Demineutrois

É um gênero em que se é parcialmente conectado com o gênero neutro. A palavra vem da junção de “neutral” e “trois” (três), já que nomearam como se fosse um terceiro gênero.

“Filho, sou bissexual”, pai relembra como foi se assumir

Aos 41 anos, o advogado Carlos Eduardo se assumiu bissexual. Paulistano de 46 anos e pai de dois filhos, ele contou à Factual900 como foi esse processo de descoberta, enquanto um indivíduo LGBT, até a auto-aceitação. Contou, também, como seus familiares e amigos reagiram quando o mesmo se assumiu bissexual aos 41 anos. Mas ainda hoje precisa tomar cuidados que não se exigem de outras pessoas, como o de não revelar seu sobrenome.

“A primeira pessoa com quem conversei foi minha ex-mulher. Uma conversa de 6 horas. Sem nenhuma briga ou intercorrência. Lembro que ela levou meu filho mais velho para assistir Bohemian Rhapsody e disse que eu tinha algo a contar para ele. Aí sentei com meus filhos e contei (um com 12 e outro com 6). Fiquei uma semana sem meu filho mais velho querer ter contato. Ele sentia que eu havia ‘mentido’ para ele. Com dez dias ele voltou para casa e foi vendo que não mudei em nada; nem como pai, nem como pessoa, nem como ser humano”, conta. Carlos comenta, com orgulho, que hoje em dia seu filho é seu “defensor número um”.

O paulistano, que trabalha num escritório renomado, se surpreendeu com a reação das pessoas após se descobrir: “Tive uma rede de apoio. Sou mega respeitado pelas pessoas que me rodeiam. Se aceitam ou não, de verdade, também não me preocupa hoje em dia. Não preciso mais abaixar a cabeça. A sexualidade é única e não tem a ver com a capacidade de amar, cuidar, acalentar, respeitar as pessoas e ser quem você é”.

Ao ser perguntado sobre como se descobriu bissexual, Carlos Eduardo afirma que “No fundo, no fundo, a gente sempre desconfia (e na verdade, sabe!), e só não se declara por medo ou por não aceitação das pessoas e da comunidade em geral”. Ele também afirma que “não há certo ou errado, mas, sim, há o que desperta o desejo em cada um. No começo, enquanto eu aceitava dentro de mim esse processo, por imaturidade, na adolescência, juventude e até início da idade adulta até tive aquele comportamento meio homofóbico. Nada mais era do que eu mesmo, gritando pra mim, que eu precisava aceitar”.

Ainda sobre o processo de se descobrir, o advogado afirma que foi um processo construído e não aconteceu de uma hora para outra. “A partir do momento em que tive a virada de chave e vi que o que eu sentia não era uma mera curiosidade, mas sim, algo que me fazia feliz, não tinha como não aceitar”, comentou. “E, de verdade, foi a maior prova de amor que eu pude dar a mim mesmo.”

O advogado também comenta sobre a bifobia internalizada até mesmo dentro da comunidade LGBTQIA+: “Ainda há muito preconceito, principalmente com a letra B da qual eu me insiro, achando que bissexuais são pessoas que não sabem o que querem ou que são indecisos, ou mais promíscuos ainda. Não, bissexuais só têm atração por ambos os sexos. Mas isso não significa que se eu tiver com um homem vou querer traí-lo com uma mulher ou vice-versa. Sexualidade não significa libertinagem. E, mesmo que fosse, se não machucasse àqueles que a praticam, que sejam felizes. Acredito, hoje, que muito há de se avançar”.

E você, já conhecia a história e o significado de todas essas identidades? Comente abaixo!

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