Comunicação Cultura Livros para jornalistas
Capa do livro “Roberto Marinho: O poder está no ar”, de Leonencio Nossa. Edição 2019.

O livro sobre o homem que criou o maior império de comunicação da América Latina

Por Alexandre Mansano, Gabriel de Campos, Ricardo Bianco e Thiago Silva

“Roberto Marinho, o poder está no ar”: o dono de um império midiático

Biografia escrita por Leonencio Nossa relata como o empresário fundou a maior rede de comunicação e entretenimento do Brasil

A biografia Roberto Marinho: O poder está no ar, de Leonencio Nossa, publicada em 2019 pela editora Nova Fronteira, relata como um pequeno jornal se transformou na maior rede de comunicação e entretenimento do Brasil e da América Latina sob a hábil e visionária administração do empresário.

Com uma apuração impecável e um alto nível de detalhamento, a biografia de Leonencio Nossa é uma leitura obrigatória para jornalistas que desejam conhecer a personalidade por trás de um grande império midiático. Ela também tem muito a contribuir para aqueles que buscam inspiração em grandes feitos empresariais ou conhecimento sobre a história e a sociedade brasileiras, justamente por tocar no vespeiro da intrincada relação entre a mídia e o poder.

Leonencio Nossa promove um mergulho na história do personagem e da gigante empresa de comunicação carioca. O perfil biográfico do criador do hoje império Organizações Globo inicia-se com relatos sobre a família Marinho, narrando a criação do vespertino A Noite, idealizado por Irineu Marinho em 1911. O jornal era comercializado a preços mais baixos do que os concorrentes, em um contexto socioeconômico no qual a desigualdade era enorme. Considerado um periódico popular, A Noite tinha boa circulação nas camadas de renda média e no subúrbio carioca. Após algumas desavenças entre os sócios, Irineu fundou em 1925 um novo jornal – O Globo, que depois de sua morte passou a ser administrado por um de seus filhos, Roberto Marinho.

No livro, Roberto Marinho é retratado como um bon vivant, mas que se tornou muito trabalhador quando herdou o jornal de seu pai. O jovem nunca teve privilégios dentro da redação e aprendeu com as melhores mentes do ramo jornalístico antes de comandá-la.

Roberto Marinho fez do jornal da família um lugar de liberdade de expressão, sendo muitas vezes crítico ao regime antidemocrático de Getúlio Vargas, o que ocasionou algumas perseguições a ele e ao jornal, conta o biógrafo. Por outro lado, apoiou mais adiante o golpe dos militares e endossou a ditadura. Foi nesse período que o Grupo Globo apresentou um crescimento estratosférico.

No ano seguinte ao golpe militar, em 1965, Roberto Marinho passa a ser dono de um canal de televisão – o antigo canal 4. A TV Globo surgia com um misto de jornalismo e entretenimento que fez o pequeno jornal de Irineu Marinho se tornar a maior rede de comunicação da América Latina.

A obra de Leonencio Nossa retrata com riqueza de detalhes uma parcela relevante da vida de Roberto Marinho, desde o nascimento até o Jornal Nacional entrar no ar. A biografia, a primeira parte de duas previstas, não retrata apenas o lado empresarial, mas também o lado humano, como filho, marido e pai.

Roberto Marinho: O poder está no ar é um mergulho que ultrapassa as figuras da família Marinho, atingindo também outras grandes personalidades da história brasileira, como a do empresário Assis Chateaubriand e a do presidente Getúlio Vargas. Ao explorar o contexto histórico de cada fase da vida de Roberto, o autor mostra que a trajetória dele é uma peça-chave para entender o Brasil do século 20.

Roberto Marinho: O poder está no ar. De Leonencio Nossa. Nova Fronteira, 2019, 544 págs, 58 reais.