foto de prato de restaurante em São Paulo
Cultura Gastronomia

9 restaurantes comandados por imigrantes e refugiados em São Paulo

Já se fala até do surgimento de uma nova gastronomia, com pratos poucos familiares ao gosto do brasileiro; a FACTUAL900 foi conferir e preparou uma lista de restaurantes para quem quiser provar da culinária para além do arroz e feijão

Por Arthur Garbuio, Fabrizzio Lombardi, Felipe Sato, Henrique Maranim, Lina Santiago, Lino Dias, Nathalia Fruchi e Pedro Simões

Eles são refugiados ou imigrantes que decidiram apostar na gastronomia para recomeçar uma vida nova no Brasil. É por isso que, nos últimos tempos, pode-se falar que surgiu em São Paulo uma nova gastronomia. São restaurantes com pratos pouco familiares aos brasileiros que, rapidamente, vêm conquistando muitos fãs. A FACTUAL900 foi conferir alguns desses locais de estrangeiros que escolheram o Brasil como sua casa. 

Curry´s Culinária Indiana – Índia

Basta provar a comida do Curry´s que a gente entende por que os portugueses desbravaram os mares para chegar à Índia e suas incríveis especiarias. A equipe da FACTUAL900 foi testar a comida do restaurante localizado na Rua Thomaz Gonzaga, no Bairro da Liberdade, e aprovou!

Pedimos o Mix Veg Curry (R$ 45), um prato executivo vegetariano que veio acompanhado de salada, arroz, sopa de lentilha e pão naan. O cardápio também tem opções de prato executivo com tofu, ricota, cordeiro, frango e camarão. Por cerca de R$  10, a mais é possível pedir um executivo completo, que acompanha também uma entrada (samosa, um tipo de pastelzinho indiano) e uma sobremesa (laddu, um doce em fora de bolinha com amendoim e gergelim). Para beber, prove o lassi (uma bebida à base de iogurte, disponível nos sabores manga e rosa – sim, rosa, a flor!).

Curry´s Culinária Indiana (@currysculinariaindiana) R. Thomaz Gonzaga, 45C – Liberdade, de terça a quinta das 11 às 16 e das 18 às 21 horas; sexta e sábado das 11 às 21 horas e domingo das 11 às 18 horas. Média por pessoa: R$ 50-70.

Laomazi – Taiwan 

Escondido em uma pequena travessa a 2 minutos a pé do metrô Liberdade fica o restaurante Laomazi. Aberto em 2001, o restaurante é especializado em pratos de Taiwan. O casal Chen Ho Chi e Kuo Mei Hui elaborou o cardápio com base nas refeições típicas de sua terra natal. A FACTUAL900 foi conferir o cardápio. Começamos experimentando a sopa de WanTan, que à primeira vista não é tão atraente, mas surpreendente pelo sabor diferenciado. 

Arroz e macarrão são ingredientes de diversos pratos. Pedimos um prato de lámen com frutos do mar – na verdade, uma sopa de macarrão com um caldo rico e delicioso. Também pedimos o guabao, um sanduíche de pão cozido no vapor ou frito. Ele pode vir com o recheio tradicional de porco ou nas opções de frango, carne bovina ou vegetariano, com shimeji e tofu (R$ 21 a R$ 25). Para acompanhar a refeição, pedimos chá de abóbora e chá de gelatina, vendidos em lata (R$ 12). Os chás podem não agradar a todos, mas experiência gastronômica serve também para isso.

Laomazi (@laomazisp). Na Rua dos Aflitos, 26, Liberdade, de terça a sexta-feira, das 11 horas às 20h30; sábado das 11 às 18 horas; e domingos e feriados das 11 às 17 horas. Média por pessoa: R$ 50.

Thai E-San – Tailândia

O restaurante tailandês ThaiI E-San é um tesouro escondido na Liberdade, em São Paulo. O ambiente é simples, mas aconchegante, com uma decoração típica tailandesa e uma televisão transmitindo clipes e novelas do país asiático. O cardápio é assinado pela chef Tookta Chomnuk, que veio de Roi Et,  uma província da Tailândia, e abriu o restaurante em 2018, em sociedade com sua esposa filipina.

Experimentamos o Pad Thai (R$ 45/R$ 52), um dos pratos mais populares da culinária tailandesa, e não nos decepcionamos. Com uma porção generosa que serve até para duas pessoas, o macarrão de arroz frito com tofu, moyashi e ovos é acompanhado de uma proteína (frango, carne ou camarão). Escolhemos o camarão e foi uma explosão de sabores e textura. Além disso, provamos a sopa Tom Yam Kung (R$ 52/R$ 62), um prato típico tailandês que leva muitos vegetais, camarão ou peixe e pode ter ou não sabor bem picante, ficando ao seu critério. Assim como o Pad Thai, estava igualmente deliciosa.

O serviço é simpático e atencioso. Fomos atendidos por uma garçonete filipina chamada Mendy, que nos contou que está no Brasil há 10 anos. Ela nos deu algumas sugestões e nos ajudou a escolher os pratos que mais se adequavam ao nosso paladar. Além disso, a decoração e a música tailandesa criaram um clima perfeito para uma experiência autêntica. 

Definitivamente, uma ótima opção para quem busca uma refeição saborosa, autêntica tailandesa e com preços justos. Tudo isso em um sobrado simples e com um  ambiente bastante acolhedor.

Thai E-San (@thaiesan_br) Na Rua Barão de Igape 372, Liberdade, de segunda, das 11h às 22h; de quarta a domingo, das 11h às 22h. Média por pessoa R$45 a R$65

Little Saigon – Vietnã 

A FACTUAL900 visitou esta verdadeira pérola na Bela Vista e a experiência foi excelente. O cardápio é extenso, com opções de entradas, saladas, ensopados, massas e sanduíches, em versões com proteína animal e veganas. Como entrada, pedimos o Goi Cuon, um rolinho primavera natural, com camarão, carne suína, alface, pepino, moyashi, hortelã, coentro e espaguete de arroz, tudo enrolado na folha de arroz. Acompanha um delicioso molho especial à base de soja e amendoim (R$ 18). Também disponível na versão vegana, com tofu e shimeji substituindo as proteínas animais. Como prato principal, fomos de Pho Xao Ga, um talharim de arroz salteada ao tempero vietnamita com pedaços de frango e mix de verduras (R$  52) e de Pho Xao Chay, uma opção vegana do mesmo prato com shimeji e tofu no lugar da proteína animal (R$  55,00). Os pratos vieram muito bem servidos e saímos com as sobras embaladas para viagem (que nos renderam outra refeição). 

Para beber, pedimos suco de lichia e suco de tamarindo, que vem com pedaços de amendoim por cima – ambos muito bons e refrescantes. Para arrematar a experiência com chave de ouro, dividimos um Chuoi Chung, sobremesa de banana ao vapor com caldo de leite de coco gelado, sagu, amendoim, gergelim e canela em pó (R$ 18). 

Little Saigon (@littlesaigonfoods) Rua Treze De Maio, 1088, Bela Vista, de terça a quinta das 12 às 15 horas e das 18 às 20h45; sexta e sábado das 12 às 15 horas e das 18 às 21h45. Fecha domingo e segunda. Média por pessoa: R$ 70.

Bósforo – Turquia

Localizado no bairro de Indianópolis, na zona sul, o restaurante tem um cardápio rico em pratos de origem turca, como por exemplo os pides (uma espécie de “pizza” turca), disponíveis em diferentes tamanhos, além de kafta, falafel, arroz e pão turco. O quibe foi uma ótima adição do dono Yusuf ao cardápio para agradar o paladar brasileiro.

Na visita da FACTUAL900, Yusuf nos recebeu com simpatia e braços abertos, além de nos conceder uma entrevista. Provamos os pides, que podem vir em cinco diferentes sabores – se você gosta de pizza, eles são uma ótima pedida! A kafta e o kibe também são excelentes escolhas, e podem ser consumidas com pão turco. Para beber, há opções de alguns sucos turcos, como a limonada e sherbet turco. O Bósforo é um restaurante pequeno com pratos ricos em sabor e cultura. O atendimento é rápido, o que é um aspecto muito positivo já que o restaurante é voltado para o delivery.

O Bósforo é um restaurante pequeno com pratos ricos em sabor e cultura. O atendimento é rápido, o que é um aspecto muito positivo já que o restaurante é voltado para o delivery.

Bósforo (@bosforosp) Av. Jandira, 845 – Indianópolis, de segunda a domingo das 12 às 22 horas. Média por pessoa: R$ 70.

Barskiy Dom – Rússia, Ucrânia e Polônia

O restaurante surgiu por causa do sucesso dos eventos do Clube Eslavo, a escola de idiomas fundada pela russa-ucraniana Snizhana Maznova, que chegou ao Brasil em 2006. Conforme o número de alunos crescia, aumentava também a quantidade de comida eslava servida nos eventos da escola, e Snizhana enxergou oportunidade para abrir um restaurante. Em 2019 o restaurante surgiu como uma parceria de Snizhana e a também professora da escola, a russa Larissa Korneva, que encostou o diploma de pedagogia e se tornou chef, cuidando dos pratos russos, ucranianos e poloneses servidos no restaurante.

Estivemos no Barskiy Dom para almoço e optamos pelo buffet por quilo, provando absolutamente todos os pratos que estavam disponíveis. Havia conservas, saladas, sopas – como a tradicional Borchtch – strogonoff (o original!) e massas, como o vareniki, na ocasião  recheado de batata e normalmente servido com smetana, uma espécie de creme azedo. Um funcionário muito simpático permaneceu ao lado do buffet nos explicando com muita simpatia cada um dos pratos.

Gostamos de tudo, mas o blinê de maçã com canela (uma espécie de panqueca doce) ganhou nossa preferência. Para beber, pedimos (e aprovamos) o suco de maçã, docinho e saboroso.  A casa é decorada com diversos objetos eslavos e tem um ambiente muito aconchegante. Entre os sabores e a simpatia das sócias e dos funcionários, tivemos uma excelente experiência. 

Barskiy Dom (@restauranterusso) Rua Apeninos 681, Aclimação. Almoço por kilo de 2ª a 6ª, das 11 às 15 horas; sábado e domingo das 12 às 16 horas. Jantar à la carte de 5ª a sábado das 18 às 23 horas. Valor do buffet de almoço: R$ 74,90/ kilo. Há opções vegetarianas.

Congolinária – Congo

O restaurante Congolinária fica no bairro Sumaré, na zona oeste, e é uma grande celebração da culinária congolesa. Pitchou Luambo, fundador do restaurante, é conhecido no meio ativista, principalmente em discussões relacionadas a refugiados no Brasil. Ele era advogado no Congo e teve que fugir do país, pois foi perseguido por agir em defesa de mulheres que sofreram abuso sexual.

No Brasil, Luambo conseguiu se reestruturar e fundou o Grupo de Refugiados e Imigrantes Sem Teto e participou de diversos atos em defesa dos refugiados no país.  Em 2016 Pitchou, com a ajuda de uma campanha de crowdfunding, conseguiu abrir o restaurante Congolinária. Todos os pratos são tradicionais do congo e 100% veganos, possuindo opções de entradas, pratos principais e sobremesas.  Pedimos Sambusas, que se assemelham muito às esfihas e vem acompanhadas de  um  molho tradicional. Para beber, tomamos Bissap, uma bebida típica congolesa  feita com chá de hibisco e manga. A casa tem serviço à la carte e rodízio, e o cardápio de cada dia pode ser conferido no site. Possui uma filial na zona leste. 

Congolinaria (@congolinaria) Av. Prof. Alfonso Bovero, 382, Sumaré e Rua Caquito, 251, Penha. Terça a Domingo das 11 às 22 horas, opção à la carte e rodízio (R$ 39,90). O cardápio do rodízio varia a cada dia da semana. Restaurante Vegano. Média por pessoa: R$ 40-50.

Rincocito Peruano – Peru 

O restaurante, especializado na culinária peruana, foi fundado por Edgar Villar nos anos 2000. A unidade da Rua dos Pinheiros, 832, na zona oeste, fica próxima da estação da Linha Amarela do metrô. O ambiente é simples e acolhedor, com uma decoração típica peruana, com adereços da região. O cardápio oferece diversas opções e variedades da culinária local, com peixes, frutos do mar, carnes  e duas opções vegetarianas. Pedimos o ceviche de pescada branca, que vem mariano no “leche de tigre”, e o “tallarín” saltado vegetariano. Ambos estavam muito bons. 

Para beber, a casa oferece opções de refrigerantes, sucos e bebidas típicas peruanas. Optamos por pedir  a Chicha Morada (R$  11,90 o copo e R$  16,90 meio litro), que é à base de milho roxo. Também pedimos da Chicha Sour (R$  36,90) feito com milho roxo, abacaxi e algarrobina, um xarope da alfarrobeira negra, todos muito refrescantes. A casa possui diversos estabelecimentos espalhados por São Paulo. 

Rinconcito Peruano (@rinconcitoperuano) Rua dos Pinheiros, 832, Pinheiros e mais 9 endereços. Seg a quinta das 12 às 15 horas e das 18 às 22 horas; sexta e sábado das 12 às 23 horas e domingo das 12 às 18 horas. Média por pessoa: R$  50-60

La Buena Onda (Mexicano)

Localizado no bairro Tatuapé, o restaurante foi fundado em 2008 por Renato Niña e Arthur Herrera, que veio do México para prestar consultoria para alguns restaurantes mexicanos de renome de São Paulo. O restaurante é pequeno, mas colorido e cheio de elementos da cultura mexicana, como máscaras de lutadores, bandeiras típicas e alguns painéis de arte pintados para o estabelecimento, que contém figuras como Nossa Senhora de Guadalupe, imagens tradicionais do Dia dos Mortos, Frida Kahlo, entre outras.

O atendimento foi muito acolhedor e rápido. Pedimos o “la gorda” (R$  45,90), que consiste em uma tortilha de trigo gigante tostada na chapa recheada com queijo derretido, chilli beans e legumes, além de uma proteína (carne suína, carne moída, frango grelhado, calabresa e carne desfiada), e gostamos muito. O burrito é, por si só, uma refeição completa.  O cardápio é extenso e dá água na boca. Não tivemos a oportunidade de experimentar mais coisas desta vez, mas voltaremos! Há opções veganas. 

La Buena Onda(@labuenaondaofficial) Rua Itapura, 859, Tatuapé. De terça a sábado das 14 às 22 horas e domingo de 14 às 21:30. O restaurante tem também uma unidade em Moema, na Alameda dos Arapanés, 1184. Média por pessoa: R$  60-80.