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Joan Didion e os ensaios vividos nos anos 1960, Rastejando até Belém

Nas páginas de “Rastejando Até Belém”, a autora leva o leitor diretamente para os anos 1960, época de suas experiências vividas em Nova York e Califórnia

Por Arthur Grandisoli, Felipe Dias e Gabriel Hernandez
Rastejando até Belém, da escritora e jornalista Joan Didion, é uma coletânea dos seus textos mais famosos, agrupados em três partes no livro. O texto tem caráter jornalístico, pois aborda acontecimentos relevantes escolhidos pela autora, porém sem deixar de lado seu estilo mais narrativo, uma forma mais literária.
A primeira parte do livro conta histórias que a autora presenciou durante o período em que esteve no condado de San Francisco na Califórnia, mas não só. Há, por exemplo, sua viagem ao México, onde ocorria uma filmagem de John Wayne, ator celebridade dos anos 1950 e 1960. Na época da visita da autora, ele já estava diagnosticado com câncer.
Nos textos de Rastejando até Belém, ela parece querer contar uma história para que o leitor se envolva com ela, um fato marcante nos textos de Didion. Mas isso não ocorre sem algum esforço. Ainda na introdução do livro, a jornalista revela sobre as dificuldades para escrever.
Na segunda parte do livro, ela aborda histórias mais pessoais, como sobre o processo de adaptação de uma Didion jovem, ainda inexperiente sobre a escrita que viria a ser adotada no futuro. A escritora dizia estar focada em seu trabalho enquanto esteve em Nova York e também na Califórnia.
Na última parte, a autora volta a mostrar relatos pessoais, dando muita ênfase nas descrições dos anos 1960, das regiões e de seus climas. É perceptível como as últimas passagens possuem bem mais detalhes sobre essas questões.
A linguagem de Rastejando até Belém é culta, porém de fácil entendimento para qualquer pessoa. A autora explora cada situação com bastante veemência, como de quem realmente viveu aquele momento e quer transmitir ao público a mesma intensidade vivenciada.
Joan Didion, uma escritora de múltiplos recursos narrativos, usufrui das diversas linguagens possíveis no mundo jornalístico. Isso a faz ser dona de um dos textos mais poderosos da imprensa mundial. Sua especialidade são as narrativas, mas as não ficcionais, baseadas em histórias reais que Joan foi registrando ao longo de sua trajetória.