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Por que o futebol de várzea empolga tanto?

Confira como foi a final da Copa dos Campeões de Itapevi. Reportagem feita pela FACTUAL900, que foi até Itapevi cobrir a grande final, com o intuito de conhecer a energia que uma partida de futebol de várzea transmite

Por Ana Luiza Guimarães, João Pedro Pirez, Lucca Sassaki, Luisa Mendosa e Vitória Ferreira

No dia 30 de abril, não seria um Flamengo e Botafogo, na rodada naquele domingo no Brasileirão, que tiraria a atenção dos moradores de Itapevi. Clássico de verdade foi a Final da Copa dos Campeões, um campeonato de futebol de várzea entre Teimoso e Caveira. Os jogadores estavam confiantes e o estádio, bem lotado. 

“É um sentimento único. Quem joga futebol sabe o quanto é, o quanto a gente batalha pra “tá” numa decisão, numa festa assim, então é muito prazeroso pra gente. E agora é conquistar o título! Jogar para conquistar o título”, disse o volante do Teimoso Bruno Vignati. 

“Com os pés no chão, com humildade, porque o futebol é lá dentro, 11 contra 11 e estamos preparados hoje”, acrescentou Anderson Luiz, técnico do time Caveira. 

A FACTUAL900 foi conferir a “pequena” grande final, uma entre tantas que ocorrem no futebol das várzeas brasileiras. Cada um dos times representa um bairro de Itapevi: Teimoso (Cohab 1) e Caveira (Cardoso). Adversários dentro de campo, os atletas foram se cumprimentar, selando as pazes antes do jogo, ainda dentro dos vestiários. Faziam questão de lembrar que a disputa é apenas com a bola rolando e que, após o apito final, todos são amigos e se respeitam. 

“Conviver com meus amigos de outro time é muito bom, mas como eu sempre falo pras minhas equipes, dentro de campo não tem como confundir amizade. Dentro do campo é cada um por si. Como eu sempre falo, dentro do campo não confunda amizade. Minha mãe pode jogar “contra eu” que eu “dou um rodo” nela, “tendeu?” Mas fora de campo é amizade, é bem boa, graças a Deus”, afirmou “WS”, atacante do Caveira.

O futebol da várzea é do povo, ele abraça a comunidade, levando um momento de esporte e lazer para a população. A paixão pelo esporte atinge essas pessoas por causa do futebol de rua, de bairro. As duas equipes possuem uma torcida forte e apaixonada, ambas foram em peso para a final e não pararam de cantar e apoiar o seu time em momento algum.

A relação entre a torcida e o Teimoso é de união. Para os jogadores, ver os moradores do bairro torcendo pela vitória é o que os movem dentro de campo. “Incentiva demais, eles desde o começo estão com a gente, cada vez mais nos apoiando e vindo mais gente. Só tende a crescer agora”, afirmou Wesley Cardoso, técnico do Teimoso. O goleiro reserva da equipe, Gustavo Bueno, vai além: “Sem a torcida o nosso time não teria chegado na final.” 

Essa união também se viu antes mesmo do apito rolar. O elenco do Teimoso foi até perto da arquibancada e, pela grade, deu as mãos aos torcedores para, numa corrente, fazer uma oração. 

Nunca é só futebol

“Somos uma família, tem muitos projetos bons. Os projetos são os melhores possíveis, quem cavar o poço, vai beber água limpa! Do fundo da minha alma, eu gostaria de ter essa mesma equipe, porque aqui tem  espírito de guerra, de vitória, de humildade”, proferiu “Carlão”, diretor do Teimoso, naquelas clássicas mensagens de incentivo ao seu elenco.

A várzea de Itapevi já obteve muitas melhorias, e parte dela é porque a prefeitura fornece apoio e estrutura aos times para que o campeonato pudesse acontecer. 

“Itapevi é uma das melhores cidades para ter o campeonato amador. Futebol, futsal, então é apaixonante, você viu a torcida”, afirmou o secretário de Esporte e Lazer de Itapevi, Maurício Japa, que está na linha de frente dos projetos da várzea. Ele cita que um time que possui até 10 diretores e são eles que conseguem, inclusive, chamar até jogador profissional para bater uma bola na várzea da cidade. “Temos evoluído muito no futebol e eles têm elogiado bastante o nosso trabalho.”

Quando se fala de futebol de várzea, sempre é citada a frase “não é só futebol”, porque tudo que acontece nessa modalidade, vai além do esporte, atinge o lado familiar e pessoal, os clubes dão atenção para a sua comunidade, que se sentem vistas e representadas dentro dos campeonatos. Isso ocorre da mesma forma com os jogadores. Muitos atletas da várzea já sonharam em se tornar jogadores profissionais. Alguns conseguiram, como Cafu, Liedson, Grafite, Bruno Henrique e Ricardo Oliveira.

“Mais uma vez Deus me abençoou, com dois gols. Ele me abençoou como campeão. Não tenho nada para reclamar, somente agradecer”, afirmou o atacante “WS”, que se sagrou artilheiro do campeonato. 

Na final, quem ergueu a taça de campeão foi o Caveira, vencendo a partida pelo placar de 3 X 0 – o primeiro gol foi de Fabrício. Apesar do resultado, os dois times saíram de cabeça erguida e com o espírito de vencedor, visto que batalharam muito no caminho até chegar na grande final. Mas a equipe do Teimoso não abaixou a cabeça. Seus torcedores comemoram como se fossem campeões. Independente do resultado, todos estavam ali representando o cidade de Itapevi.

Foto: João Miranda
Foto: Luísa Mendosa/ FACTUAL900

Luiz de Nardo, capitão do time Teimoso, fala para o podcast da FACTUAL900