Esportes

Paralimpíadas: duas esperanças brasileiras em Paris 2024

Em entrevista exclusiva à FACTUAL900, o fundista Yeltsin Jacques e a nadadora Carol Santiago falam dos preparativos para os Jogos Olimpícos do ano que vem.

Por Felipe Viana, Gabriel dos Anjos, Guilherme Godoi, João Alves, Leonardo Haidar, Luiz Padovani

“Gosto de ser visto como diferenciado, não diferente!”, afirma Yeltsin Jacques. Nascido em Campo Grande (MS), ele é o atleta responsável pela centésima medalha de ouro do Brasil na história dos Jogos Paralímpicos. O marco foi alcançado nos 1.500 metros T11 nas Paralimpíadas de Tóquio 2020. A prova é para atletas com deficiência visual, e Jacques corre vendado.

Yeltsin é um atleta notável. Também em Tóquio, ele bateu o recorde mundial com o tempo de 3min57s60. É com essas marcas que faz do brasileiro uma das esperanças de medalhas para as Paralimpíadas de Paris 2024. “Pode esperar muitas conquistas, estou trabalhando muito. E a gente com certeza vai trazer grandes pódios, grandes medalhas e mais uma vez grandes resultados para o Brasil”, promete.

Atletas paralímpicos brasileiros têm sido destaques nas últimas competições. A cada edição, o Brasil avança no quadro de medalhas e está entre as potências mundiais. Os bons desempenhos entre atletas olímpicos e paralímpicos têm, inclusive, chamado a atenção.

Corredor Yeltsin Jacques candidato a medalha nas Paralimpíadas Paris 2024
Corredor Yeltsin Jacques candidato a medalha nas Paralimpíadas Paris 2024- Foto: Wander Roberto/CPB

À FACTUAL900, Yeltsin Jacques falou um pouco sobre suas esperanças para o futuro, inspirações e dificuldades. O atleta nasceu com uma visão parcial – uma condição retiniana congênita. O esporte surgiu dentro de casa. “O que começou a me motivar foi a inspiração da minha família. Realmente eu sou aquela pessoa que amo o que faço e o esporte é minha vida”, disse.

O atleta já pensa no futuro e em formar futuros campeões, como ele. Yeltsin sabe que num esporte de alto rendimento, precisa estar em plenas condições físicas. Quando seu tempo chegar, ele quer virar treinador. “Vou formar campeões no Brasil. Hoje a gente está no caminho certo, a gente segue trabalhando e a cada dia mais quero trabalhar pelo esporte e pelo Brasil”, diz. 

Mas, para ele, ainda há muitos obstáculos na prática do seu esporte. “A maior dificuldade  do esporte no Brasil ainda é estrutural, estrutura física, às vezes falta um local adequado, são poucas as pistas não só do atletismo, mas do esporte em geral[…] Infelizmente, até pela própria cultura corrupta, não permite que sejam feitos os projetos de centro de treinamento conforme está no papel, isso tira muito a performance dos atletas e também mata muitos sonhos das nossas crianças”.

Caio Martins é um paratleta que sonha em representar o Brasil. Batemos um papo com ele:

Esperanças nacionais

Outro nome de destaque no esporte paralímpico no País é o da superatleta Carol Santiago. Nascida em Recife, a nadadora é uma das maiores esperanças de medalha em Paris 2024 e conta sobre sua trajetória, marcada por reconhecimentos, mas também dificuldades. “A cada ano que passa o paralímpico é mais reconhecido, porém, ainda há muito a se saber. Após Tóquio, o esporte paralímpico foi mais divulgado e foi mais reconhecido”.

Nadadora Carol Santiago candidata a medalha nas Paralimpíadas 2024
Nadadora Carol Santiago candidata a medalha nas Paralimpíadas 2024- Foto: fornecida pela atleta

A medalhista atribuiu o maior interesse do público às transmissões televisivas e complementou: “Já está maior do que antes, mas ainda pode crescer muito mais”.

Quando questionada sobre investimentos nos esportes, ela declarou: ’’O Brasil hoje não está deixando a desejar em nenhum lugar que eu vá competir, isso foi um legado do Rio 2016”. O Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, localizado na zona sul de São Paulo, é um dos grandes motivadores para os bons resultados nacionais. Aberto desde maio de 2016, o local acomoda 15 modalidades e possui área residencial para 300 pessoas.

E há também incentivo, o que não havia em anos anteriores. Carol Santiago afirma: “Hoje a gente tem no Brasil, um dos maiores programas de investimento individual num atleta de alto rendimento[…] consigo viver somente do esporte, algo que é extremamente importante, para que eu possa me dedicar aos treinamentos. Sempre dou o melhor para um patrocinador, porque a gente também é agente modificador dessa visão”.

Por último, Carol comentou sobre seus atuais desafios: “Hoje eu acho que a minha maior dificuldade é passar pelo processo de preparação, porque toda vez que eu passo ele fica cada vez mais difícil, mais desafiador, mas eu venço ele, e vencê-lo é uma das características da pessoa que vai competir pela medalha de ouro”.

A FACTUAL900 foi conferir o Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro: