Olga, Fernando Morais
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“Olga”, a biografia definitiva de uma revolucionária judia

O jornalista e escritor Fernando Morais reconta a história de Olga Benário, a judia alemã e revolucionária que lutou bravamente contra o nazifascismo
Por Enzo Zanetti, Lucas Wood, Pedro Ferraz, Pedro Cunha, Hugo Bazilio

A biografia Olga, de Fernando Morais, é um documento histórico que detalha dois períodos conturbados para a vida no Brasil, em particular, e no mundo: a Era Vargas e a Segunda Guerra Mundial. E ele elege um personagem para contar essa história: Olga Benário (1908-1942), uma jovem judia alemã de Munique, revolucionária, que lutou contra o nazismo e o fascismo.
Olga foi publicada primeiramente em 1984 pela Editora Ômega e relançado em 1994 pela Companhia das Letras. Fernando Morais, um comunista de carteirinha, escreveu essa obra tendo um conhecimento prévio e repertório muito grande. Mas não é que as opiniões políticas do autor sejam expressas a todo momento, mas é possível ver o vasto conhecimento histórico do autor e seus contatos dos mais diversificados dentro do movimento comunista brasileiro.
A obra é dividida em três partes. Começa pela juventude de Olga, que foca na vida pessoal da protagonista, detalhando sua personalidade, como ela pensava, a tensa relação com os pais e como se iniciou no movimento comunista e seu relacionamento com Otto Braun. Em seguida, a biografia mergulha na vida dela no Brasil. O autor conta o longo e tortuoso processo de chegada de Olga no Brasil, junto de seu companheiro Luís Carlos Prestes, ex-militar e comunista brasileiro. Em 1934, Olga e Prestes fugiram para a União Soviética, onde haviam se conhecido e planejaram a ida para a América do Sul. No Brasil, com identidades falsas, eles iniciam a Intentona Comunista contra o governo de Getúlio Vargas, em 1935. Após o fracasso da revolução no Brasil, os dois foram presos por dois anos. Em 1937, Olga Benário foi extraditada para a Alemanha nazista, onde foi levada para o campo de concentração de Ravensbrück, no qual ela morreu em 1942, aos 34 anos.
Morais fez uso de uma escrita simples, com uma narrativa bastante descritiva e sempre em terceira pessoa. Embora não adote termos acadêmicos de difícil compreensão, a biografia é rica em detalhes, informações, fatos e dados. Essa grande quantidade de informações e fatos pode deixar o leitor confuso. Sugere-se uma leitura vagarosa e atenta. Fernando Morais, autor também de Corações Sujos, baseou sua pesquisa em documentos históricos, entrevistas com pessoas que conheceram Olga e cartas e poemas escritos por ela.
Mesmo que breve, o autor narra a breve passagem dos personagens, Olga e Prestes, em São Paulo com a presença de Celestino Paraventi, um próspero empresário e industrial paulista que financiou o movimento comunista brasileiro e que ajudou o casal a chegar no Rio. Morais destaca que o movimento na época era muito plural e não tinha o apoio apenas de operários. A leitura se torna exaustiva quando o autor recorrer a uma grande quantidade de informações sobre personagens menores para a própria história.

Olga. De Fernando Morais. Companhia das Letras, 2008, 328 págs., 25,33 reais.