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Como a Marvel representa a Geração Z e luta por antigos fãs

A franquia da Marvel aposta em novos super-heróis e reconhecimento das minorias, mas as bilheterias não atendem às expectativas dos produtores. “Dr. Estranho” chega para recuperar o público perdido

Por Bruna De Santis, Isabelli Paiva, Marcelo Nascimento, Maria Clara Castilho, Maria Victória Nogueira e Vitória João Luz

O filme Eternos, lançado em 4 de novembro de 2021, ficou longe de alcançar a bilheteria de qualquer uma das obras da saga Vingadores. A produção arrecadou 400 milhões de dólares com 69 dias de exibição nas telonas, bem abaixo do padrão Marvel. Bastaram apenas três dias para que o recém-estreado Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, de Sam Raimi, superasse o longa dirigido por Chloé Zhao. O que há de comum entre um “fracasso” de Eternos (47% de aprovação no Rotten Tomatoes) e um “sucesso” de Doutor Estranho está o grande desafio do Universo Cinematográfico Marvel (MCU) em alcançar novos públicos.

Esse é um dos motivos que fez a Marvel introduzir pelo menos mais 10 novos super-heróis e vilões em seu Universo. A ideia é agradar aos “viúvos” dos antigos personagens e atrair novos fãs. No entanto, a crítica generalizada aponta a quebra da fórmula tradicional da franquia, o excesso de piadas e os arcos narrativos curtos dos novos personagens como alguns dos motivos que levaram Eternos a ser considerado um fracasso.

Contudo, as críticas não param por aí. E não são direcionadas apenas aos novos filmes produzidos pela franquia, mas também pela construção da narrativa cronológica existente entre eles. Muitos espectadores deixam de assistir aos novos filmes devido à quantidade de produções a serem assistidas anteriormente para que haja um entendimento completo do Universo – somente antes de Eternos, são pelo menos 25, sem contar séries e outros programas lançados exclusivamente no serviço de streaming Disney+.

E o streaming também afasta o público. Segundo reportagem do Estado de S. Paulo, o brasileiro já gasta mais de 268 reais mensais somente com assinaturas de plataformas digitais de filmes e séries, como Netflix, Amazon Prime e Globo Play. Lançado no Brasil em 17 de novembro de 2019, o Disney+, serviço de vídeo on demand, não somente compila filmes, séries, programas e outras produções da Disney, Pixar, Marvel e National Geographic, como também produz seus próprios conteúdos exclusivos que são distribuídos apenas para assinantes.

Bilheteria

Cada lançamento da Marvel é sinônimo de cinemas lotados e arrecadação recorde. O filme da franquia cinematográfica que trouxe a maior bilheteria foi o Vingadores: Ultimato, lançado em 2019, arrecadando 2,797 bilhões de dólares. Já a de menor bilheteria foi O Incrível Hulk, lançado em 2008, gerando uma receita de 263,42 milhões de dólares.

Os números do Vingadores Ultimato podem ser explicados pelo fato de que o filme conta com todos os personagens que o público mais admira, como Capitão América, Homem de Ferro, Homem-Aranha, entre outros. Porém, no final do filme há acontecimentos que geram choque em muitos telespectadores, e determinam o fim de uma geração de personagens, que acompanham os filmes há muitos anos. É provável que nos futuros filmes da Marvel não haja tanta bilheteria pelo fato de que, o grupo de personagens denominados Vingadores nunca mais será completo e igual ao que era antes. A geração dos personagens está mudando, e com isso, novos protagonistas surgem, tal qual Homem Elástico, Miss America, Professor Xavier e Ikaris.

Vingadores: Ultimato (2019) foi o filme da Marvel que mais arrecadou dinheiro, sendo, ao todo, US$ 2,797 bilhões.

  • Arrecadação nos EUA: US$ 858,3 milhões (30,6%)
  • Arrecadação no Brasil: US$ 85,6 milhões
  • Custo de produção: US$ 400 milhões (dividido com Vingadores: Guerra Infinita)

O Incrível Hulk (2008) foi o filme com menor bilheteria, US$ 263,42 milhões

  • Arrecadação nos EUA: US$ 134,8 milhões (51,2%)
  • Arrecadação no Brasil: US$ 97,91 milhões
  • Custo de produção: US$ 150 milhões

Representatividade no mundo dos super-heróis

Por exercer uma forte influência na sociedade contemporânea, é essencial que o mundo Marvel faça com que todos os seus telespectadores se sintam incluídos. Dessa forma, é possível notar que as suas produções passaram a abranger uma diversidade maior de histórias a serem contadas. Em uma entrevista com o jornalista especializado em cultura pop Jota Silvestre, da revista Mundo dos Super Heróis, afirmou que “a Marvel, em especial, assumiu como posicionamento ampliar a diversidade em todos os seus produtos. Começou com os quadrinhos e chegou pouco depois nos cinemas, como em Pantera Negra (estrelado por um ator negro) e Capitã Marvel, por uma mulher, por exemplo”.

Personagens do filme eternos se preparando para o combate
Cena do filme ‘Eternos’

“Não sei se as pessoas refletem sobre as questões e pautas sociais que a Marvel traz, mas acho que abordar minimamente assuntos como a diversidade ajuda as pessoas a aceitarem essas diferenças”, comentou o fã clube @_o.miranha_. É indispensável que a indústria cinematográfica, especialmente o mundo Marvel, aborde questões e pautas sociais, uma vez que, ainda em 2022, haja tanto preconceito acerca das minorias. Um exemplo disso foi a conduta racista do público após a estreia do filme Pantera Negra, na qual houve uma grande repercussão de comentários depreciativos nas redes sociais. 

Atualmente, no universo Marvel, observamos narrativas diferentes nas vidas dos super-heróis, o que demarca a iniciação de uma nova fase dessa cinematografia heroica. E com uma nova era vem as novas responsabilidades, que demandam uma maior inclusão de personagens. “Este posicionamento se intensificou quando o estúdio deu início à chamada Fase 4 com Viúva Negra, em 2021. Eternos tem protagonistas mulheres, gays, negros e uma pessoa com deficiência”, explica Jota Silvestre.

Apesar de a franquia já ser consolidada e alcançar números impressionantes de bilheteria, é necessário inovar a fim de conquistar um novo público, tão fiel quanto o que acompanhou os Vingadores por mais de 11 anos, até o fim da chamada Fase 3 do Universo. Agora, o grande desafio é descobrir como garantir mais inclusão por meio da representatividade e como fazer isso nos moldes da Geração Z, em que a cultura do imediatismo domina a comunicação audiovisual.

Veja a opinião do público, antes e depois de ver Doutor Estranho, Multiverso da Loucura:

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