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Orgulho de Ser: Mês do Orgulho LGBTQIA+

Por Caroline Almeida, Dora Arai, Gabriela Belchior, Maria Luiza Malafaia, Nicole Chris, Rafaela Navarro

O Brasil é uma democracia, mas ela é representativa? Para Arthur Ryber, ativista na União Nacional LGBTQIA+ Baixada Santista, não. E não pelo simples fato de que ainda hoje as pessoas LGBTQIA+ lutam para existir, e muito disso se deve à ausência de políticas públicas que atendam as suas demandas.

“É necessário ter um representante LGBTQIA+ no mundo político, pessoas que conhecem e que vivem as nossas pautas, que de fato nos representam, só assim vamos conseguir leis e políticas públicas que impactam a nossa vida de forma positiva.”, afirma Arthur, que atua como conselheiro da juventude do município de Santos e vê, na prática, a realidade marcada pela discriminação, LGBTQIA+fobia. A inserção no mercado de trabalho, a convivência no meio estudantil e o acesso à saúde são alguns dos desafios a serem superados por eles.

O ativista aponta que o governo poderia tomar algumas medidas públicas em prol da comunidade LGBTQIA+ e afirma que tudo começa e termina pela educação. Seja educando sobre a transfobia ou iniciando política de cotas para pessoas dessa comunidade. Além disso, Ryber destaca a importância de políticas públicas pautadas dentro da saúde, como o acesso de pessoas trans em ginecologistas e urologista

Para Eldra La Fonte, coordenadora da frente LGBTQIA+ na Faculdade Cásper Líbero, a presença de um grupo que representa e comunica os mesmos ideais tem como função não só dar voz e abraçar às chamadas minorias, como também formar agentes políticos no futuro que persigam e conquistem seus próprios direitos. 

Internamente, na Cásper, Eldra cita a necessidade de existir um coletivo como esse nas instituições de ensino e acrescenta dizendo que as pessoas que estão em formação acadêmica podem causar uma mudança no mundo e não se sentirem solitárias. “Ajudamos a formar pessoas que, futuramente, vão fazer com que os nossos direitos se tornem cada vez mais iguais, para que consigamos ter uma sociedade cada vez mais justa e que tenha visibilidade”, explica.   

Ryber também relata que no mês do Orgulho LGBTQIA+ que a comunidade LGBTQIA+ consegue juntar ações, consolidar causas e preparar as suas lutas para o longo do ano, além de trabalhar pela sensibilização da causa. Expõe também a existência de um lado negativo do mês, o “pink money”. As empresas patrocinam e buscam ajudar essas pessoas. Mas quando acaba o mês do Orgulho elas ignoram o movimento, principalmente nas decisões de contratações de emprego. “A gente consegue um pouco mais de resultado e visibilidade durante esse mês, mas é só mais um mês, e a gente sempre precisa reforçar que o ano é repleto de doze meses, não é de um mês. A gente continua morrendo em todos os meses do ano, inclusive no mês do orgulho.”, relata o ativista. 

Existe amor em “Éssipê”

A luta da comunidade LGBTQIA+ já é histórica. Durante a ditadura, nos animados bares e clubes dos anos 1970, surgiu um movimento pioneiro pelos direitos de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais no Brasil. Foi nesse contexto que eles começaram a se unir e a lutar por igualdade e respeito. 

Nos anos 1980, o país enfrentou a primeira onda de casos de aids, o que serviu como um marco para aumentar a conscientização da população. Com o passar do tempo, cada uma das identidades que compõem a sigla LGBTQIAP+ encontrou sua própria voz política. Juntos, esses indivíduos formam uma “sopa de letrinhas” do movimento, que luta pela diversidade, inclusão e direitos iguais para todos, conquistando cada vez mais espaço na sociedade brasileira.

Em junho de 1997, ocorreu a 1ª Parada do Orgulho LGBTQIAP+ no Brasil, na Avenida Paulista, em São Paulo. A realização da 27ª edição da Parada LGBTQIAP+ já é um testemunho do poder e da importância de luta que esse evento ocupa na nossa sociedade. 

Mas a data, para quem não sabe, é mundial. Em vários países, é comemorado o mês do Orgulho LGBTQIA+, criada em homenagem à considerada primeira grande luta da comunidade. Em junho de 1969, ocorreu a hoje conhecida Rebelião de Stonewall. Na época, havia um bar chamado Stonewall Inn, em Nova York, que servia como um ambiente privado para que homossexuais pudessem se expressar livremente. Na época, havia regulamentações governamentais que proibiam sua liberdade de expressão e suas atividades, desde consumir bebidas alcoólicas até se expressar romanticamente. 

Na última semana de junho de 1969, várias abordagens policiais agressivas começaram a ocorrer no Stonewall Inn contra os proprietários e clientes. Em 28 de junho, a comunidade presente se mobilizou para enfrentar e se opor às autoridades, lutando pelo seu direito de existência. Esse evento gerou no ano seguinte, na mesma data e local, a primeira Parada do Orgulho LGBTQIA+. Manifestantes lotaram as ruas de Greenwich Village, nos Estados Unidos, para reforçar e lutar mais uma vez pelo seus direitos de ser e se expressar. 

Crédito: Unsplash

As cores da bandeira

Cada letra da sigla LGBTQIAP+ possui sua própria bandeira, mas o famoso arco-íris, criado em 1978 pelo artista norte-americano Gilbert Baker, é o símbolo que representa toda a comunidade. Cada cor tem seu próprio significado, e juntas representam a diversidade de identidades de gênero e de orientações sexuais.

Crédito: Unsplash

Rosa: Sexualidade

Vermelho: A vida

Laranja: A cura

Amarelo: A luz do sol

Verde: Natureza

Azul: Serenidade e Harmonia

Violeta: Espírito

Hoje podemos celebrar uma série de conquistas que foram alcançadas graças à luta incansável da comunidade LGBTQIAP+. Hoje, a conquista da união estável homoafetiva, o reconhecimento da identidade de gênero, à saúde sem preconceito e discriminção, o que antigamente foi vista como disseminadora de doenças, a criminalização da LGBTfobia e a própria Parada do Orgulho LGBTQIAP+ são exemplos da necessidade de se lutar por uma democracia efetivamente representativa, como defende Arthur Ryber.

Confira nosso vídeo no Youtube com Fernando Fenty e sua história como drag queen, aqui.