São Paulo e Rio promovem carnaval fora de época

As duas maiores cidades brasileiras, São Paulo e Rio, liberaram os desfiles das escolas de samba para o carnaval fora de época, mas não os blocos de rua.

Por Beatriz Alcântara, Gabriel Loducca, Guilherme Gasparini, Lucas Rebolo, Maíra Oliveira e Maria Paula Azevedo.

O carnaval fora de época se tornou, em anos passados, uma rentável festa para seus organizadores. Era maio, junho, setembro, não importa o mês, e lá havia um sambódromo lotado de foliões para celebrar alguns dias de festa. Neste fim de semana, um atípico carnaval fora de época ocorre nas duas maiores capitais brasileiras, São Paulo e Rio de Janeiro, bancado pelas prefeituras e com gostinho de superação. 

Em 2021, por causa da pandemia de Covid-19, a festa foi cancelada pela primeira vez na história desde que foi institucionalizada. Há mais de um século que esse evento tão aguardado ocorre religiosamente entre fevereiro e março. O carnaval só foi adiado em duas ocasiões (1892 e 1912). Após um ano de hiato, o carnaval voltará a acontecer, ainda que com algumas adaptações. As folias de rua não ocorrerão agora em abril, mas as escolas de samba, enfim, poderão se apresentar. 

Após dois anos atípicos, sem folia, as expectativas estão altas para o retorno da maior festa nacional. A decretação de feriados é vista como algo positivo para o setor do turismo, já que ele se tornou dependente do feriado em si. Em comparação ao ano passado, onde a maioria dos Estados não decretou feriado, espera-se um crescimento de 21,5% na arrecadação para os cofres municipais. “A expectativa é positiva, pois existe um otimismo no setor hoteleiro onde já se evidencia em torno de 80% de reservas efetuadas, fora as pessoas contratadas para executar esses serviços”, afirma o turismólogo Milton Ricardo Graça. Poderia ser ainda mais rentável se houvesse a liberação do carnaval de rua, já tradicional no Rio e que se consolidou em São Paulo na última década. A falta de blocos afeta a recuperação financeira e é motivo de saudade para os foliões.

Essa recuperação econômica no pós-pandemia terá de ser gradual em todas as esferas que envolvem o carnaval, pois as consequências foram sentidas por todos aqueles que, neste período do ano, dependem do carnaval para se sustentar. A lista vai de trabalhadores informais a grandes empresas: gravadoras, compositores, intérpretes, músicos, vendedores ambulantes, seguranças, montadoras e locadoras de trios elétricos, catadores de materiais recicláveis, além de muitos outros. 

A Factual900 foi ao Sambódromo conferir os ensaios técnicos. Confira:

Esses diversos setores sofreram grandes perdas financeiras com a não realização do carnaval em 2021, evidenciando que essa festividade transcende a importância cultural. “Tanto para o setor do turismo quanto para o de eventos foi bastante difícil, pois o carnaval é o período onde mais se arrecada. Um ano antes a preparação já começa com cantores, compositores, arquitetos e com parte da confecção, então o impacto foi grande”, acrescenta Ricardo Graça.

Em 2020, o Estado de São Paulo arrecadou aproximadamente 2,75 bilhões de reais, representando 28% da renda total que o evento ofereceu ao país (9,74 bilhões de reais). Já em 2021, com o isolamento social, o Brasil arrecadou 33,7% a menos do que no ano anterior. Embora a retomada em 2022 anime os trabalhadores e empresários, economistas especializados não conservam o mesmo otimismo. Em entrevista para a BBC, o economista da CNC (Confederação Nacional do Comércio) Fabio Bentes faz uma importante ressalva: “O Carnaval brasileiro ainda tem muito o que recuperar nos próximos anos para voltar ao nível de dois anos atrás”.

Não há como negar que, este ano, o Carnaval de São Paulo não será como o paulista está habituado. Sem os tradicionais blocos de rua e com número reduzido de integrantes na avenida, a festa terá suas limitações, mas os foliões estarão determinados a não deixar o samba morrer. 

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