Álbum de figurinhas da Copa 2022
Comportamento

Álbum de figurinhas movimenta postos de troca

Álbum da Copa do Mundo de 2022 movimenta as capitais do país e incentiva a tradicional troca de figurinhas

Por Anna Maria Prado, Gabriela Andrade, Gabriela Travizzanutto, Isabela Munhoz, Maria Julia Frazatto e Rafael Abibi

De quatro em quatro anos, a Fifa (Federação Internacional de Futebol) organiza o campeonato mundial de futebol – a Copa do Mundo. O evento reúne diversas nações e suas Seleções e, com isso, mobiliza fãs de futebol ao redor do globo. O evento traz consigo algumas tradições que não se limitam ao campo prático do esporte, como o álbum de figurinhas e, consequentemente, os famosos pontos de troca.

Jéssica Freitas trabalha no posto de troca do Shopping Pátio Paulista, próximo à Avenida Paulista. Ela conta que em dias de semana o público é, em sua maioria, crianças no horário da saída das escolas. Mas, nos finais de semana o fluxo de adultos e idosos, especialmente do sexo masculino, aumenta. Aos sábados e domingos mais de 300 colecionadores se reúnem no local. “O fluxo é intenso aos finais de semana. Por isso, as pessoas sentam no chão ao redor da instalação do posto para fazerem as trocas de figurinhas.”

Pontos de Troca

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(Foto: Reprodução/ Shopping Pátio Paulista via Facebook)

Lançado oficialmente pela Panini desde a década de 1970, os álbuns de figurinhas ainda mobilizam colecionadores e fanáticos no Brasil e internacionalmente. Em 2022, tanto o álbum, quanto as figurinhas chegaram às bancas no dia 19/08. Logo viraram febre no território brasileiro. Criança, jovem ou adulto, aqueles que decidiram colecionar têm uma coisa em comum. Para completar o álbum, além de comprar os pacotes, a solução mais econômica é trocar figurinhas.  

O processo de troca é tradição quando o assunto é álbum de figurinha. Além da diversão, tal prática ajuda a economizar dinheiro. Já que ao invés de comprar mais pacotes, é possível completar o álbum trocando as figurinhas repetidas com outras pessoas. Vem aumentando, nas principais capitais do país, os famosos Postos de Troca. Espaços dedicados especialmente para pessoas que desejam trocar suas figurinhas com outros colecionadores. Só em São Paulo estes postos se encontram em mais de 10 shoppings e no Museu do Futebol, como no Shopping Pátio Paulista.

Mesmo com tantos compradores, o álbum desse ano veio acompanhado de reclamações. A maior delas é a respeito dos preços. A Fifa permitiu que cada seleção convoque 26 atletas, com 15 reservas em cada jogo e, como consequência, o número de fotos dos jogadores aumentou, assim como os custos. No Brasil, cada pacote de figurinhas custa R$4,00, o dobro do preço de 2018, enquanto o álbum custa R$12,00 e o recém-publicado álbum de capa dura chega a R$44,90. Segundo a pesquisa publicada no Instagram da Factual 900 (@factual900), o aumento no valor mínimo para completar o livro foi de R$260,11 para R$536,00 de 2002 para 2022.

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(Foto: Reprodução/Panini)

Embora com os preços inflados, o Brasil não é o país mais caro para o consumidor. O jornal “Terra” elaborou uma pesquisa. Na qual pontuava o quanto custa cada pacote de figurinhas em alguns dos países cujo álbum está disponível. Destaca-se países como o Reino Unido, no qual cada pacote custa 0,9 libras (ou 6 reais). Já Argentina, cujo pacote custa 150 pesos (ou 5,60 reais). Outra pesquisa elaborada pela “UOL” pontua também que o preço mínimo para completar o livro ilustrado em países. Como Cuba, Irã e Dinamarca é de aproximadamente R$6.215,00.

De acordo com Tobias Silveira, universitário que coleciona álbuns da Copa desde 2006. Ele estava frequentando o Posto de Troca do Pátio Paulista pela segunda vez. O aumento dos preços pode trazer dificuldades para aqueles que desejam começar a colecionar. Para ele, isso pode desmotivar a compra. Mas, ao mesmo tempo, incentivar a troca de figurinhas como uma forma mais econômica de completar o álbum.

Socialização e o álbum de figurinhas

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(Foto:Reprodução/Panini)

Completar o álbum da Copa do Mundo pode trazer uma série de benefícios, especialmente para crianças e adolescentes. Trocar e doar figurinhas, fazer novas amizades, lidar com frustrações. Principalmente, ter paciência, são desafios frequentes que os fãs têm que passar até encontrar todas as figurinhas. Assim, esse processo une diversas faixas-etárias, auxiliando no processo de socialização para os mais jovens. Trazendo a sensação de nostalgia aos mais velhos. Sendo capaz de aproximar grupos diferentes e construir laços de amizade em volta de um objetivo comum.

De acordo com a Panini, o álbum da Copa do Mundo de 2022 está sendo comercializado em mais de 150 países. A empresa tomou a decisão de fazer figurinhas com fundo azul e roxo para países que têm suas filiais (como Brasil, Chile e México). Já as figurinhas laranjas para os países que não possuem filiais (como Argentina e Itália). O motivo de tal decisão foi evitar o cross-border (exportação de produtos entre um país e o outro). Assim como proteger cada mercado local.

O que faz o álbum de figurinhas um fenômeno cultural tão impactante é a paixão nacionalista que o futebol traz consigo. Não necessariamente afeta só aqueles que são torcedores e amantes fervorosos do esporte, mas uma nação. Em um mundo cada vez mais tecnológico. Onde jovens e adultos estão conectados nas redes sociais, o resgate de tradições acaba unindo gerações de fanáticos e aflora o senso de pertencimento. Um simples álbum ilustrativo para colar figurinhas resgata mais que uma tradição, e sim o que significa ”ser brasileiro”.

A história dos álbuns de figurinhas. Ouça: