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“A Queda de Bagdá” traz um jornalismo de guerra imersivo e realista 

Jon Lee Anderson viveu na pele a sensação de estar em uma guerra, a do Iraque, e pode contar uma história com começo angustiante e final trágico 

Por Bianca Vasconcelos, Ketula Gil, Lucca Sassaki, Maria Clara Campanini e Rafael Mariscal 

A Queda de Bagdá, escrita pelo jornalista norte-americano Jon Lee Anderson, é o primeiro da série de livros “Jornalismo em Guerra” (selo Objetiva, da Companhia das Letras). O autor leva ao pé da letra a máxima: estar no lugar certo, na hora certa. A obra relata os acontecimentos que vivenciou na Guerra do Iraque, mas de uma maneira diferente da maioria dos jornalistas. Em vez de acompanhar os combates ao lado das tropas ocidentais, o repórter optou por uma abordagem independente e imparcial. Assumiu o risco de ser alvo do conflito tal como qualquer iraquiano. 

Jon Lee Anderson, nascido em 1957, é um experiente jornalista de coberturas internacionais e colaborador de veículos de prestígios, como a New Yorker. No livro, ele relata desde sua chegada em Bagdá, capital iraquiana, até as preocupações, medos e angústias que o cidadão comum sofria em seu cotidiano pré-guerra. A obra avança sobre o desencadeamento do conflito, detalha eventos que ocorreram durante a invasão das tropas norte-americanas, e, por fim, as ruínas deixadas após os bombardeamentos. 

Mesmo enfrentando restrições do governo do Iraque que o impediam de se movimentar livremente por todos os lugares, o jornalista optou por fazer uma cobertura independente. É o que o permitiu descrever cenas, pessoas, sentimentos e todo o contexto dos lugares atingidos pela guerra.  

De uma forma única, Anderson se preocupa em abordar não só o lado político, mas também como a guerra afeta a rotina dos iraquianos sob o governo de Saddam Hussein. Repórter por quase dois anos que viveu em Bagdá, ele procurou apresentar relatos sem pender para o seu país de origem ou poupar a figura do ditador iraquiano.  

No livro A Queda de Bagdá, alguns personagens se fazem mais presentes, como é o caso de um médico pessoal de Saddam, Ala Bashir, o intérprete de Jon que o guiou no começo do livro, Samir, e o seu fiel motorista Sabah, que não só conduzia o repórter pelas cidades iraquianas, mas também servia como seu parceiro e amigo. Os relatos deles deixam claro as consequências de um regime autoritário.  

O livro é extremamente descritivo e recheado de narrativas, Jon Lee Anderson consegue trazer dezenas de relatos dos iraquianos e situações vividas por eles que trazem emoção e geram empatia. A narrativa do jornalista é um grande exemplo de como inserir o leitor para dentro da história. Se qualquer período da guerra já é triste e angustiante, A Queda de Bagdá faz o leitor se imaginar em um cenário cercado de destruição e mortes. E pensar principalmente na injustiça com os inocentes. 

[H6] 

A Queda de Bagdá. De Jon Lee Anderson. Objetiva, 2005, 388 págs., 198 reais.